Ana Holck completa 25 anos de trajetória com exposição na Maneco Müller: Multiplo. “Imprevistos” apresenta a mais recente produção da artista, com obras inéditas em cerâmica e metal.

Marcando os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck, a galeria Maneco Müller: Multiplo apresenta a exposição “Imprevistos”, com a mais recente produção da artista carioca com 16 obras inéditas, produzidas este ano, em um desdobramento da pesquisa da artista com a cerâmica e o aço inox. Os novos trabalhos trazem elementos inéditos, como novas formas e a introdução de cores no barro, algo nunca antes utilizado pela artista. Ana Holck é uma das mais destacadas artistas de sua geração e ao longo de mais de duas décadas de atuação construiu uma carreira consolidada no meio da arte. 

“Sua prática se desdobra por meio de uma investigação contínua de estruturas espaciais, tensões materiais e a dimensão experiencial da escultura. Trabalhando principalmente com materiais como metal e porcelana, Holck constrói ambientes que desafiam a estabilidade da forma, ao mesmo tempo que ativam a percepção e a presença corporal do espectador.” Daniela Labra, crítica e curadora de arte que assina o texto da exposição e há mais de uma década acompanha o trabalho da artista.

Na mostra, serão apresentadas obras da nova série “Desajustados”, iniciada este ano, além de trabalhos inéditos das séries “Entroncados” e “Grades”, também produzidos este ano. As esculturas dialogam entre si, não só pelo fato de todas utilizarem a cerâmica como base, mas também por suas formas, ritmo e construção. Além disso, pela primeira vez, as obras trazem elementos de cor. Ana também usa um tipo de barro canadense chamado “Gres”, que já vem com as cores de fábrica. 

“Uma coisa muito nova que une esses trabalhos é a presença da cor. Comecei com a porcelana, sempre branca, cheguei a usar também a preta, mas cor, é a primeira vez. Utilizo mais a cor como um marcador de tempo e espaço. Tem um ritmo que está sendo dado por essas cores, que eu chamo de ‘não-cores’, pois não são tons fortes, são nuances de cor.” Ana Holck

“Quando fui para a cerâmica, foi muito prazeroso assumir o controle da produção, pois até então eu terceirizava muito, fazia maquete, croquis e outra pessoa executava. O fato de estar com a mão na massa propicia um potencial muito grande de mudança dentro do trabalho, de transformações da linguagem. Trabalho muito com módulo e repetição, que foi uma forma que encontrei para expandir o tamanho da obra na cerâmica, e também são elementos que tem a ver com a arquitetura, com o minimalismo, com a ideia de repetição, serialidade, que são elementos caros ao meu trabalho de antemão.” Ana Holck 

Apesar de utilizar um material bruto e maleável, Ana Holck o subverte, transformando a porcelana em tubos de bitolas regulares, pré-estabelecidas, através de uma prensa chamada extrusora.

“O meu trabalho tem muita composição, muita montagem. É um trabalho de cerâmica, mas não da forma convencional, que tem o toque da mão, a expressividade toda. É mais minimalista no sentido que eu uso a extrusora para fazer os tubos que compõem o trabalho.” Ana Holck

“Ana Holck possui um amplo conhecimento, seja técnico, conceitual ou histórico, que também é transdisciplinar. Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial.” Daniela Labra

SÉRIES EM EXPOSIÇÃO 

A exposição apresentará conjuntos de trabalhos que dialogam entre si. Na nova série “Desajustados”, tubos de cerâmica, com cores variadas, interligados pelo aço inox, trazem a sensação de movimento e ritmo.

“Eles possuem duas cores e imprimem um ritmo através delas. É uma composição lúdica de linhas e retas.” Ana Holck

Estes trabalhos dialogam diretamente com os da série “Entroncados”, que também são feitos de cerâmica e metal. Se nos “Desajustados” a cerâmica expande através de um núcleo de metal, nos “Entroncados” é a fita de aço inox que expande a partir do núcleo de cerâmica.

“Um é um pouco o inverso do outro. Um é reto, o outro é curvo. Eles são meio complementares.” Ana Holck

Completam a exposição obras da série “Grades”, feitas em cerâmica, também com cores. Inéditas, essas obras remetem aos primeiros trabalhos da artista na cerâmica, há quase dez anos.

“A grade é um elemento constante na minha obra e permeia o meu trabalho, estando presente em muitas obras. É algo muito ligado a projeto, planejamento, uma estrutura universal. Já tinha usado grades nas pontes que fazia com fitas, nas instalações em vinil e na série ‘Canteiros de obras’. A minha grade sempre tem uma espacialidade. Quando comecei na cerâmica era tudo muito novo para mim, então senti necessidade de ir para um assunto familiar, que era a grade.” Ana Holck

Essas novas grades possuem uma tridimensionalidade, sendo algumas com sobreposições e outras oblíquas, e também possuem cores, assim como as demais obras da exposição. 

A artista Ana Holck

Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ (2000), com Mestrado em História pela PUC-Rio (2003) e Doutorado em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2011). Inicia sua trajetória nos anos 2000, com instalações de grande formato, entre as quais, Elevados, no Paço Imperial (2005), Bastidor, no CCBB RJ (2010) e Splash, no SESC Pinheiros (2010). Entre suas mais recentes mostras individuais estão Ensaios Lineares, na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro, e Deslocamentos Orbitais, na Zipper Galeria, São Paulo, ambas em 2024, e Entroncados, Enroscados e Estirados, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2023. Entre as coletivas estão: O Espetáculo da Coerência (2026), na Maneco Muller Multiplo, Rio de Janeiro; Elas (2025), no MAC Niterói, Rio de Janeiro; Entre Elas (2025), na Amelie Maison D’Art, Paris; O Mistério das Coisas Por Baixo das Pedras e dos Seres (2024), no Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Qual o tema (2024), na mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, entre outras. Possui obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio, MAM São Paulo, MAC Niterói, entre outros. 

Obra de Ana Holck

SOBRE A GALERIA 

A Maneco Müller: Multiplo é mais que uma galeria onde as obras ficam expostas para a apreciação do público; pretende-se um ambiente de encontro com a arte contemporânea. Aqui, artistas consagrados e novos talentos oferecem o melhor de sua produção em múltiplos e obras em papel, objetos e pinturas, além de projetos especiais. A ideia é que o espaço crie as condições para que os olhares do público encontrem formas singulares de se relacionar com a arte. 

Além de comercializar obras selecionadas a partir de critérios estéticos de extraordinária densidade artística, a Maneco Müller : Multiplo ainda realiza permanente trabalho de pesquisa no sentido de identificar e divulgar novos trabalhos. Por seu engajamento na circulação da arte e pela recusa em tomá-la como produto, a galeria vem se consolidando como um espaço que investe no lançamento de edições exclusivas, um lugar que cultiva preciosidades. Renovar a reflexão e a fruição estética, atrair não especialistas, despertar novos colecionadores, enriquecer coleções já estruturadas: com os múltiplos e as obras em outros formatos de grandes artistas brasileiros e estrangeiros, a Maneco Müller : Multiplo espera tão somente desafiar o olhar do público e promover encontros em torno da arte contemporânea.


Serviço: Ana Holck – Imprevistos, em cartaz até 17 de julho de 2026 na galeria Maneco Müller: Múltiplo (MMM Galeria), Rua Dias Ferreira, 417, sala 206 | Leblon. De segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábado com hora marcada. Entrada gratuita.

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Publicado por:Philos

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